O diálogo é resistência por si só, ponto. Como também dele surge a oportunidade de aproximação. Portanto, negar esse ato, é muitas vezes, anular o outro.

É a resistência de quem não se encaixa na prepotência do saber, que admite a existência de inúmeros pontos de vista e não tem como objetivo vencer uma batalha, mas a procura de metodologias para melhorias do nosso dia a dia.

Angela Davis

 

 

Nesse viés, não conseguimos discutir a construção de diálogos, se não partirmos do básico, do entendimento da própria política. Quando digo o entendimento da política, não me refiro a classificação de cargos ou como funciona a engrenagem da democracia real, mas mais básico ainda.

Politéia, palavra grega de onde vem Política, que era muito utilizada para referir-se a vida em coletividade, ou seja, o desenvolvimento de diretrizes e normas sociais que possibilitam a expressão de cada indivíduo, tomando por suas diferenças, para que melhor possam conviver sem transformar as relações em um caos social.

Se qualquer enfrentamento começasse com o conhecimento desse princípio, seria incapaz de existir movimentos que iriam contra qualquer ideia, estereótipo e/ou escolha nesse formato desleal e violento que assistimos cada vez mais e que nos leva a essa desestabilidade social e política atual.

Linda Sarsour
Complementa-se a isso o Estado que deveria garantir políticas de incentivo a igualdade e justiça, mas vai na contramão elegendo figuras com características fora do senso de realidade e de ética, que coloca em voga a capacidade de um governo ser funcional.
Discurso vs Diálogo
Tendo esse princípio garantido, passamos para outro obstáculo, a classificação do diálogo e do discurso. Por mais que a diferença entre elas seja algo claro, no momento de se deparar diante uma situação de discurso, nos mantemos calados, nós mulheres em especial, sem perceber ou sem desejar prolongar com um opositor incompreendido por ele mesmo ou até não enxergar como é maléfico essa aceitação do domínio e toda a estrutura que mantêm essa engrenagem.

Mea maxima culpa é um sentimento que assombra nós mulheres nesse cenário geral, mas nada que não pode ser desenvolvido e reformulado pelo próprio feminismo. (Mais texto feminista)

Para caminharmos em sentindo democrático, é necessária essa compreensão e não reproduzirmos esse ciclo de imposição de ideias frente a troca de conhecimento.

É um momento muito importante para pensarmos em como devemos nos relacionar, enxergar de forma mais nítida e simplista certos limites do bom senso, e ao ultrapassarem essa linha tênue, qual metodologia precisa ser aplicada.

 

 

 

L  e  i  t  u  r  a     i  n  d  i  c  a  d  a

Como conversar com um fascista ll Márcia Tiburi

Contra o governo dos piores: uma gramática da democracia ll Michelangelo Bovero

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A l i n n e   M a r t i n s

Bacharela em artes e design pela UFJF, mob.acadêmica em Design pela UFPR.  Atualmente diretora de arte, jardineira e está na batalha pelo seu mestrado na área de arte, política e cultura latina.